
O vice-líder do governo Lula na Câmara dos Deputados e uma das principais lideranças do PT no Maranhão, Rubens Pereira Jr., deu declarações que seguem mantendo o cenário político estadual indefinido, tendo o vice-governador Felipe Camarão (PT) como peça central do tabuleiro. Em entrevista a um podcast local, Rubens foi enfático ao classificar a pré-candidatura de Camarão como intocável.
“A pré-candidatura do Felipe Camarão é intocável. Ninguém mexe com ela, porque isso é um ativo para o Partido dos Trabalhadores”, afirmou. Em termos mais claros, Camarão decide se quer disputar a eleição ou se opta por abrir mão para apoiar outro nome.
Essa autonomia atribuída a Felipe Camarão coloca o grupo liderado pelo governador Carlos Brandão em uma posição de grande desconforto político por diversos motivos. Entre eles, o fator tempo: os prazos eleitorais se aproximam do fim, e o grupo governista enfrenta dificuldades crescentes, com um ambiente interno cada vez mais desgastado. Há aliados demonstrando intenção de abandonar o projeto, além da inviabilidade política do nome do sobrinho do governador, Orleans Brandão, que não conseguiu avançar nas pesquisas e não caiu nas graças do eleitorado maranhense.
Outro ponto destacado é a falta de confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já deu diversas sinalizações de preferência por Felipe Camarão, em detrimento de um nome indicado diretamente pelo governador.
Durante a entrevista, Rubens Pereira Jr. também apresentou teses sobre outros caminhos possíveis, que não incluem integrantes da família Brandão, caso Felipe Camarão decida não disputar o pleito. Diante de um cenário considerado complexo e com o tempo se esgotando, torna-se cada vez mais difícil para o governador se movimentar politicamente. A ausência de uma definição tende a conduzir ao caminho mais óbvio: Felipe Camarão como candidato majoritário do PT, com o apoio de uma frente ampla de partidos.
Outro aspecto ressaltado pelo deputado é que o Partido dos Trabalhadores possui um rito e um calendário próprios. Rubens também enfatizou, em diversos momentos, que o principal objetivo do grupo alinhado à liderança do presidente Lula — do qual ele e Camarão fazem parte — é a unidade.
“O que se quer, em primeiro lugar, no Maranhão, é a unidade. Esse é o propósito do presidente Lula, e ele dirige o PT”, afirmou.
Mesmo diante de um cenário desfavorável, o governador Carlos Brandão tenta, segundo aliados petistas, convencer o presidente Lula com pesquisas consideradas inconsistentes, além de informações vistas como desconexas. Esse comportamento tem sido interpretado como “fofoca política”, o que teria desagradado tanto o presidente quanto a cúpula nacional do partido.
Para completar, Felipe Camarão conta com o apoio da base do PT, especialmente da militância, que atua diretamente na ponta.
Ao final da entrevista, Rubens Pereira Jr. afirmou ter recebido uma diretriz expressa da direção nacional do partido. “Essa diretriz eu recebi do próprio Edinho, presidente nacional do PT: o primeiro caminho é o apoio à candidatura de Felipe Camarão”, concluiu.



