Sampaio Corrêa é um clube centenário e símbolo da identidade do futebol maranhense. (Imagem: Rede SocialO Sampaio Corrêa, clube centenário e símbolo da identidade cultural e esportiva do Maranhão, atravessa uma das fases mais críticas de sua história recente.
A combinação entre a decadência dentro de campo e decisões administrativas contestadas aprofundou o distanciamento entre a diretoria e a torcida, transformando o futebol em um debate público sobre gestão, patrimônio e democracia.
Mais do que resultados esportivos, a crise é apontada como institucional. A demolição de boa parte do centro de treinamento do clube, para atender os interesses do Supermercado Mateus, tornou-se um marco simbólico do conflito e impulsionou mobilizações organizadas de torcedores, especialmente por meio do Movimento O Sampaio é do Povo, criado em 2025.
Segundo o professor do IFMA Raimundo Castro, um dos representantes do movimento, o grupo surgiu como resposta a um ambiente que classifica como fechado e autoritário.
“O Sampaio não é apenas um CNPJ. É um clube de massa, popular, um patrimônio cultural do Maranhão. O movimento nasce para exercer a fiscalização cidadã que a diretoria se recusa a aceitar”, afirmou Raimundo.
O debate sobre a crise do Sampaio Corrêa foi tema do programa Dedo de Prosa, da Agência Tambor, que entrevistou Raimundo Castro, tratando das denúncias e reivindicações do movimento.
[Veja entrevista na íntegra ao final desta matéria.]
TAMBOR. Foto/Reprodução.
Na avaliação do movimento, a atual crise vai além do desempenho esportivo e reflete a ausência de transparência e de governança. “Os maus resultados em campo são consequência de um ambiente institucional deteriorado, sem diálogo, sem prestação de contas e com decisões concentradas na presidência”, disse Raimundo, ao destacar mudanças estatutárias que ampliaram os poderes de Sergio Frota, presidente do clube há quase 20 anos.
O desgaste da relação com a torcida, segundo ele, vem de anos e se agravou com posturas hostis diante de cobranças públicas. Raimundo relata episódios em que torcedores e jornalistas foram alvo de ataques verbais e tentativas de desqualificação. “Quando a diretoria reage com agressividade, o que está em jogo não é apenas o clube, mas o direito da sociedade à informação”, afirmou.
Entre os principais pontos questionados está a venda de parte do terreno do Centro de Treinamento José Carlos Macieira. O movimento cobra explicações detalhadas sobre a operação e o destino do dinheiro arrecadado. “Até hoje não foram apresentados documentos claros, contratos ou notas fiscais. Isso precisa ser explicado”, disse o professor.
Diante das denúncias, o Movimento O Sampaio é do Povo optou por acionar o Ministério Público e outras instâncias institucionais. Há representações em andamento que pedem apuração sobre a venda do patrimônio, atos cartoriais e possíveis irregularidades administrativas. “Não fazemos acusações levianas. Apontamos indícios e cobramos que os órgãos competentes investiguem”, ressaltou Raimundo.
A crise também se manifesta nas arquibancadas. Torcedores relatam episódios de repressão policial e censura durante partidas, com apreensão de faixas e impedimento de protestos pacíficos. Para o movimento, trata-se de uma tentativa de silenciar críticas. “Nossa torcida não é contra o time. É em defesa do Sampaio, da sua história e do seu patrimônio”, afirmou.
Raimundo reforça que o movimento não busca confronto, mas transparência e abertura institucional. “O clube não pode ser tratado como propriedade de uma pessoa ou de um grupo. Quem gere o Sampaio é passageiro. A torcida e a história são permanentes”, disse.
O outro lado
A Agência Tambor procurou o Sampaio Corrêa Futebol Clube para ouvir a versão da diretoria e solicitar esclarecimentos sobre todos os pontos levantados na entrevista .
O presidente do clube, Sérgio Frota, foi convidado pela Agência Tambor para participar do programa Dedo de Prosa, com a garantia do mesmo espaço concedido ao representante do Movimento O Sampaio é do Povo, a fim de assegurar a ampla exposição de posicionamentos.
Até o momento, não tivemos retorno da atual diretoria do Sampaio Corrêa.
Veja entrevista na íntegra do professor do IFMA Raimundo Castro, um dos representantes do movimento Sampaio é do Povo.



