PELAS MÃOS DO PRESIDENTE do seu partido, Braide esteve quinta-feira, 11/12/2025, com o presidente do PT, Edinho Silva… O prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), decidiu disputar o governo do Maranhão em 2026 e orientou aliados a disseminarem sua pré-candidatura nas redes sociais e pelo interior do estado.
A decisão foi tomada no final de dezembro de 2025, um mês após o prazo prometido pelo chefe do Executivo municipal ludovicense. Apesar do apelo de familiares e pessoas próximas, o anúncio público está previsto apenas para o fim de fevereiro, antes da abertura da janela partidária, em março, que permitirá a filiação de candidatos a deputado e ao Senado na chapa.
Reservadamente, aliados atribuem a demora a desgastes acumulados na gestão municipal, como a crise no transporte público e problemas nas áreas de educação, cultura e, principalmente, saneamento, que poderiam contaminar o lançamento da pré-candidatura. Em contraponto, Braide passou a intensificar a veiculação de publicidade de ações da prefeitura, com ele próprio como figura central. As propagandas têm sido exibidas, inicialmente, na programação da TV Difusora, que tem ampla cobertura no estado, mas devem ser distribuídas para outros veículos e plataformas ao longo dos meses.
Entre os auxiliares mais entusiasmados com o impulsionamento da pré-candidatura de Braide estão os secretários municipais Marcos Affonso (Segurança com Cidadania) e Márcio Andrade (Assuntos Políticos), que devem disputar assento na Assembleia Legislativa. Lideranças políticas de bairros da capital e perfis no Instagram que fazem a cobertura da Grande São Luís e de outros municípios também têm intensificado publicações favoráveis ao prefeito.
Um dos focos da pré-campanha é o interior do estado, começando por Imperatriz, segundo maior colégio eleitoral do Maranhão, onde Braide ainda tinha dificuldade de penetração. Ricardo Seidel, membro do diretório estadual do PSD e vereador em terceiro mandato, coordena a expansão do nome do prefeito de São Luís na região.
“Meses atrás, tínhamos uma dificuldade em pontuar no Sul do estado, mas assumimos o papel de coordenar a pulverização do nome Braide aqui”, disse Seidel ao Atual7.
A montagem da chapa é, hoje, o principal nó que Braide terá de desatar. O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, defende publicamente a inclusão da senadora Eliziane Gama (PSD-MA) na composição com Braide. Mas aliados do prefeito afirmam que ele não quer a senadora — e que, se obrigado a aceitá-la por pressão da direção nacional, adotará a mesma relação estabelecida por Flávio Dino com Roberto Rocha nas eleições de 2018.
À época, candidato ao Palácio dos Leões, o hoje ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) fez quase toda a campanha mantendo distância de Rocha, segundo pessoas próximas, para evitar desgastes junto ao eleitorado. Nos últimos dias de campanha, sob pressão política, Dino pediu votos ao então aliado e ambos foram eleitos.
O próprio irmão do prefeito, o deputado estadual Fernando Braide (PSD), tem sido direto na rejeição à senadora. “Ele na montagem da chapa vai escutar primeiro a vontade do povo. E daí, sim, vai definir o que vai ser a chapa dele de candidato ao governo. E, pelo que a gente tem visto, está difícil de Eliziane vir para essa chapa”, declarou recentemente em entrevista ao blog Tribuna 98.
Seidel foi mais explícito nas razões. Ao Atual7, o vereador citou o apoio de Eliziane a Duarte Júnior (PSB-MA) na disputa pela Prefeitura de São Luís em 2024, quando o PSD tinha Braide como candidato à reeleição. “Não vejo motivo para o PSD Maranhão e o grupo do Braide fazer por ela o que ela não fez”, afirmou.
A situação da senadora é complexa. Ela foi eleita em 2018 na chapa encabeçada por Flávio Dino, com Carlos Brandão (hoje sem partido) como vice. Brandão assumiu o governo em 2022 e agora apoia o sobrinho, Orleans Brandão (MDB), para a sucessão — potencial adversário de Braide. Com a confirmação da candidatura do prefeito, Eliziane terá de escolher entre o partido, que lançará Braide, e o grupo político que a elegeu, que apoia Orleans.
“Por que ela não tem a vaga dela cativa no grupo Brandão, já que ela foi tão fiel a ele?”, ironizou Seidel.
Outro nome vetado por Eduardo Braide para a chapa ao Senado é o ex-prefeito de Santa Rita Hilton Gonçalo (Mobiliza). Segundo interlocutores do prefeito, Braide não tem gostado de vê-lo atrelar seu nome à pré-candidatura sem autorização.
“O prefeito tem se irritado com o Hilton estar impondo seu nome na chapa, como se houvesse alguma dívida a ser paga, algum compromisso. O líder é Braide, não ele. Por esse motivo já está fora”, declarou um aliado de Braide, em reservado.
Braide também articula apoios fora do PSD. No início de dezembro do ano passado, o prefeito buscou aproximação com o PT e prometeu pedir votos para Lula, ignorando a pré-candidatura autodeclarada do vice-governador Felipe Camarão ao Palácio dos Leões. Aliados do prefeito afirmam ainda que o ex-presidente da Assembleia Legislativa Othelino Neto (Solidariedade) pode se somar à pré-candidatura. A esposa dele, Ana Paula Lobato, que assumiu o mandato de Dino no Senado, comanda o PSB no Maranhão.
Procurado pelo Atual7 por mensagem e telefone para comentar sobre a pré-candidatura ao governo e a composição da chapa, Eduardo Braide não retornou o contato.



