OPINIÃO/EDWILSON ARAÚJO! OSCAR WILDE: a “fotografia” deformada quando não havia IA

“O retrato de Dorian Gray”, único romance do escritor irlandês Oscar Wilde, é uma criação literária fantástica. Publicada em 1890-1891, a obra toda é composta em torno de uma pintura em culto ao belo Dorian Gray, jovem de formosura extraordinária eternizado no quadro de autoria do artista Basil Hallward.

Dorian, desejoso da juventude eterna, faz um pacto para que ele permaneça mancebo e belo, enquanto a sua imagem na pintura, aos poucos, envelhece, deformada em rugas, sulcos, manchas e outras marcas da degeneração ao longo do tempo.

A genialidade do autor, Oscar Wilde, ao desfigurar a imagem, ressignifica o sentido da imutabilidade da pintura, um objeto analógico carcomido por várias deformações.

Era este o protocolo do pacto, no qual Dorian permaneceria eternamente formoso, contrastando o envelhecimento da pintura e a eterna juventude do retratado.

Assim, ao longo da trama, a imagem vai absorvendo os atos pecaminosos do retratado, enquanto ele goza do viço da beleza.

Gozo esse atormentado por vários episódios trágicos. Um deles, a morte súbita da sua grande paixão, uma atriz de teatro suburbano, prometida em casamento.

A obra é atravessada por diálogos extraordinariamente construídos em uma ousada crítica à aristocracia da sociedade britânica na Era Vitoriana.

O recurso da ironia refinada marca o estilo da escrita, ferina e saborosa, exaltando a hipocrisia, o cinismo, a ambição, a indiferença e outros tantos valores morais decadentes dos ingleses podres de ricos.

A estética que marca o texto em melopeias e a fanopeias é bem perceptível na tradução de José Eduardo Ribeiro Moretzsohn.

O enredo segue com várias peripécias, aumentando ao extremo a tensão entre Dorian Gray e a sua pintura em monstruosa deformação.

Acesse o link na Bio e leia o texto completo:

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