
A crise na Prefeitura de São José de Ribamar saiu do gabinete e tomou as ruas. Revoltados com o que classificam como abandono, perseguição e desrespeito institucional, dezenas de Guardas Civis Municipais (GCMS) cruzaram os braços nesta terça-feira (19) e protagonizaram uma forte manifestação contra a gestão do prefeito Julinho.
Ao todo, 66 agentes aderiram à paralisação, num movimento que escancarou o colapso da relação entre a categoria e a administração municipal. Em coro, os servidores dispararam contra o governo: “É a pior gestão da história de São José de Ribamar”.
A indignação da tropa tem motivo. Enquanto o salário mínimo nacional já chega a R$ 1.642, o salário base dos GCMs segue congelado em R$ 1.412 — valor defasado e mantido pela prefeitura mesmo após sucessivos reajustes nacionais. Uma humilhação salarial que, segundo os manifestantes, simboliza o abandono da categoria.
E o cenário ficou ainda pior. Com o aumento da jornada de trabalho de 30 para 40 horas semanais, os guardas afirmam ter sofrido um duro golpe financeiro: cerca de R$ 1 mil desapareceram dos contracheques devido à falta de reajuste da Gratificação de Natureza Especial (GNE), congelada em 20%.
Para os servidores, a gestão Julinho quer mais trabalho pagando menos.
A revolta atingiu o limite após o prefeito ignorar, por três vezes consecutivas, reuniões já marcadas com a direção do sindicato da Guarda Municipal. O gesto foi interpretado pela categoria como desprezo absoluto pelo diálogo e falta de respeito com os profissionais da segurança pública municipal.
Sem resposta da prefeitura, os guardas decidiram endurecer o movimento. A manifestação ganhou reforço das professoras da rede municipal, organizadas pelo Sinproessema, durante protesto na Câmara Municipal, seguido de uma passeata até a sede da prefeitura. O ato virou símbolo da insatisfação generalizada dos servidores municipais contra a atual administração.
Entre as principais reivindicações dos GCMs estão:
- A saída imediata de Sérgio Mira, comandante da Guarda há seis anos e acusado pelos agentes de perseguição interna e abertura abusiva de PADs.
- Pagamento de 200 GNEs e reajuste imediato da gratificação de 20%.
- Progressões e promoções represadas na carreira.
- Melhores condições de trabalho, com entrega de CAT, fardamento e estrutura digna.
- Cancelamento dos PADs considerados arbitrários.
- Cumprimento da Lei Federal 13.022, com criação de Ouvidoria e Corregedoria independentes.
- Enquanto servidores ocupam as ruas e denunciam perdas salariais, assédio administrativo e abandono institucional, a Prefeitura de São José de Ribamar permanece em silêncio.
E o silêncio, neste momento, só aumenta a revolta.



