A história dos povos é feita de fatos, de ações políticas, de acontecimentos encadeados e de eventos que transformam ou moldam as sociedades. Assim é desde que o mundo é mundo, desde que o homem se tornou um ser político e agente do próprio destino.
A luta dos povos, a luta do povo: a Nossa Luta.
Nossa Luta é a denominação de um grupo político surgido na primeira metade da década de 1980, com o objetivo de organizar e defender os trabalhadores rurais e urbanos do Maranhão. Foi um movimento que nasceu das necessidades das massas empobrecidas e exploradas, do litoral aos sertões do estado. Sindicalistas, agentes comunitários, lideranças das Comunidades Eclesiais de Base e tantos outros homens e mulheres deram vida ao grupo, que brotou, sobretudo, dos seios das comunidades, bases de uma organização social inspirada na Igreja, que procurava caminhar ao lado dos menores do Reino.
Organizou, defendeu, lutou e elegeu. Elegeu deputados federais e estaduais, vereadores, prefeitos e vice-prefeitos em diversas regiões do Maranhão. Mas, tão importante quanto todas essas conquistas — e de singular importância política e estratégica —, o grupo elegeu uma prefeita para a capital do estado, demonstrando que a força de um movimento nascido das bases populares era capaz de alcançar os mais altos espaços de representação política.
Sem medo de errar, afirmo: o Grupo Nossa Luta foi o que de mais revolucionário surgiu na política maranhense em seu tempo. Deu voz, deu vez e visibilidade aos invisíveis. Fez com que homens e mulheres do campo e da cidade deixassem a condição de meros espectadores da história para se tornarem protagonistas das suas próprias lutas e conquistas.
Pois bem, passadas quase quatro décadas de silêncio e da saudade do que fomos, o Grupo Nossa Luta — ou o que ainda resta dele — reencontrou-se ontem, 13 de junho. Reencontrou-se para recordar, para celebrar e para saber como todos estavam; para lembrar dos que partiram e abraçar os que permanecem.
Foi um belo encontro. Belo pela sua importância e pelo significado que teve para cada um dos presentes. Ali, em muitos corações, despertou o desejo de um renascimento, de ressurgir como a Fênix. Afinal, o grupo ainda habita dentro de nós. Por tudo o que significou e ainda significa, a luta permanece viva em cada um daqueles que continuam sedentos de justiça.
Ontem houve um resgate histórico, um ressurgimento de esperanças. José Carlos Sabóia, Juarez Medeiros, Conceição Andrade, José Costa, Ribamar Santana, Conceição Marques e tantos outros valorosos companheiros e companheiras reviveram esse sentimento. Olhos marejados, vozes embargadas e a emoção à flor da pele testemunharam a grandeza daquele momento.
Saímos de lá — tenho certeza — cheios de perguntas, mas também com a convicção de que vimos uma luz apontando para algum lugar e para algum momento do futuro próximo.
Eu acredito.

Rogério Rocha. Foto/Reprodução.




